Coluna do Breno Monsef - Estaduais, Copinha e o atraso para a reforma de nossos torneios



É quase um consenso geral ser a favor da reformulação nos formatos dos nossos campeonatos estaduais Brasil afora. Torneios inchados, com muitos clubes, que se prolongam por mais tempo do que o necessário para os nossos padrões atuais. Porém as discussões que giram em torno dos estaduais não se prolongam por exemplo, para as categorias de base. A CBF até tentou nos últimos anos unificar o calendário, criando por exemplo o Brasileiro e Copa do Brasil para essas categorias, mas o que se viu nos últimos tempos foi um retrocesso nesse sentido.

Se à nível nacional encontramos uma desorganização, no nivel das federações estaduais não poderia ser diferente. O maior exemplo que sintetiza tudo isso é a Copa São Paulo de Futebol Júnior. Na edição deste ano, a 47ª, são 112 (!!!) clubes. 112. Um total de 224 jogos realizados em 25 dias. O objetivo de formar jogadores ao mesmo tempo que faz vitrine para os mesmos, que era o principal de uma competição como essa, já se perdeu facilmente por aí.

Como é possível que um torneio extremamente dilatado como este consiga cumprir seu objetivo? Só quem ganha nessa história toda são os empresários, que desde a base já empresariam e "fatiam" jogadores, e utilizam da Copinha como uma forma de conseguir dinheiro, agindo somente como mercenários na grande maioria das vezes, sem o mínimo de interesse com o futebol em si.

Neymar, Ganso, Fred e outros que todos os anos são exaltados por terem sido revelados na Copa São Paulo não surgem aos montes. São raríssimos os que saem e já vão pro profissional para se destacarem, porém isso é quase que doutrinado na mente dos meninos que sonham em serem ídolos e grandes jogadores. Todavia a culpa não é deles, pois não têm condições de, caso tenham talento, sejam revelados verdadeiramente e sigam um caminho natural, e não o de um empresário.

Se ano retrasado tanto se falou em reformas no pós-7x1, parece que a euforia com isso já passou. O que deveria ser feito, como trabalho de formiga, mesmo, não foi. Enquanto isso, nossos jogadores são "entulhados", em vez de realmente se formarem verdadeiros jogadores.

Que nossos dirigentes comecem a olhar mais para a base, não só com interesse de lucrar em cima dela, e sim, respeitar o futebol brasileiro para melhorá-lo, já que no exterior, isso já não acontece há um bom tempo.

Breno Monsef
@brenozuca

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