Coluna do Breno Monsef - Futebol Chinês: Mercado-bolha ou tentativa de firmamento?

Shu Yuhui é presidente do Tianjin Quanjian. O clube de Luxemburgo, Jadson e Luis Fabiano é um grande exemplo do alto investimento chinês em futebol.
(Foto: Reprodução)

Desde as primeiras saídas de jogadores brasileiros para jogar no exterior que essa questão levanta polêmicas. Seja pelos valores contraídos ou inflados em demasia, a relevância que o atleta vai exercer num cenário propício a isso ou não, até a não-contribuição que ele poderá dar ao cenário brasileiro - já que a princípio é mais importante o desenvolvimento do coletivo do que o individual.

A partir das décadas de 70, 80 e mais intensamente em 90 e 2000, a Europa foi o principal destino dos nossos principais talentos - digo em uma quantidade considerável. O que se viu foi um firmamento do futebol europeu como grande potência mundial, com a contribuição forte dos brasileiros.

Porém nomes de relevância começaram a ir para e atuar em destinos que podemos classificar como alternativos. Inicialmente o Japão, com o Zico, depois o Oriente Médio, Leste Europeu, Estados Unidos e, mais recentemente, México e agora a China com todo seu aporte financeiro advindo de diversos fatores.

O principal fator que explica o investimento chinês no futebol é o incentivo governamental. É uma espécie de Lei Rouanet esportiva, na qual o clube que investe tem por exemplo dedução no imposto de renda - fazendo comparações ao Brasil em tudo isso, já que lá não funciona da mesma forma que aqui. E as grandes empresas veem nisso, junto com a possibilidade de expor internacionalmente suas marcas, uma chance imensa de obterem sucesso.

Será que esses mercados-bolha vão estourar rápido demais a ponto de não conseguirem se firmar igual aconteceu historicamente com a Europa? A economia internacional - e principalmente a chinesa - não está se encaminhando para um bom destino, e é motivo extremo de preocupação. Jogadores que têm potencial de crescimento na carreira, "jogam a mesma fora" ao se destinarem à cenários que não têm muita relevância por aqui, já que nesse momento a pretensão de fazer o popular pé-de-meia fala mais alto - o que não vai afetar para um atleta em fim de carreira, por exemplo.

Vimos o desmonte do Cruzeiro bicampeão brasileiro em 2013-2014, o do Corinthians em 2015, e a exportação em atacado dos principais jogadores em sua maioria para a China e Leste Europeu. De maneira nenhuma isso pode ser saudável para o futebol brasileiro tão deficiente a cada ano que passa. Mas, do jeito que estamos, é impossível competir com o aporte financeiro que vêm destes locais.

Os bons exemplos estão aí para serem seguidos. Ligas como a mexicana e a norte-americana crescem cada vez mais, e a chinesa começa a entrar no radar brasileiro. O que é bom deve ser adaptado - e até copiado - para que não fiquemos cada vez mais atrás de locais que, até pouco tempo atrás, não sabiam nem que futebol se jogava com uma bola. Senão vai nos restar apenas tentar nos vingar contratando todos os chineses das pastelarias espalhadas pelo nosso país.

Breno Monsef
@brenozuca

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